sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009


Não existe moto grande, existe é motociclista pequeno!"




Gau em algumas de suas aventuras pelo Brasil nos anos 80, em estradas de terra, que com chuva, virou o acima...











João Gonçalves - GAU (61 anos) - O PAI do Moto Turismo Brasileiro
Entrevistado por Policarpo Jr, com ajuda em textos e fotos pelos colaboradores motociclistas Allamo (direto de Miami/USA) e Cicero Paes (de Florianópolis/SC).
João Gonçalves - GAU (61 anos, fotos ao lado) é motociclista desde seus 16 anos. Podemos afirmar com segurança o que você pode confirmar com os mais respeitados editores dos veículos de imprensa especializada do nosso país: GAU É O PAI DO MOTO TURISMO BRASILEIRO.
É um motociclista que tem sua vida desde os anos 70 dedicada a viajar de moto, cruzando países e continentes. Gau vivenciou mais o mundo pilotando uma moto, do que a maioria de nós através de mapas, atlas, filmes e livros. Para ele, viajar de moto não é lazer ou hobby, é a sua vida, sua razão de ser. O significado de "GAU" deveria ser "Global, autêntico e único" no que tange ao pilotar uma moto na estrada.
Os motociclistas que conhecem bem o Gau, dizem que ele "não mora, faz estadia", porque está sempre viajando de moto, senão, planejando uma viagem.
Gau é um motociclista que faz parte dos brasileiros pioneiros em longas viagens por países e locais distantes, além do próprio Brasil, o qual já circulou de Norte a Sul e de Leste à Oeste, aliás, esse motociclista acumula mais de 1.000.000 km rodados em 5 continentes. Praticamente todas as suas grandes viagens foram publicadas em revistas especializadas e, agora, é a vez do Rock Riders contribuir para imortalizar a história desse ícone do motociclismo brasileiro. Gau é daqueles que não tem trava na língua: o que pensa escreve e/ou fala. É realmente uma pessoa despojada e determinada, sobretudo, divertida.
GAU tem muitas experiências para contar, razão pela qual o Rock Riders atreve-se, carinhosamente, "fuçar" um pouquinho (vai dar apenas uns "pitacos") em algumas histórias vivenciadas por ele, nas suas longas viagens, na Irmandande Motociclística Brazil Rider´s, ora idealizada por ele e amigos bem como, na sua mais nova contribuição para o mundo motociclístico, seu livro: "Moto é o sonho que caminha".
A entrevista foi realizada numa noite de quinta-feira, no Gávea Palace Hotel, no centro da capital Paulista, perto da chamada "boca dos motociclistas", um hotel tradicional em hospedagem de motociclistas, tendo toda a sua recepção (é toda) decorada em homenagem aos motociclistas. A propósito, atualmente o Gavéa Palace Hotel é administrado pelo Sr. José Francisco do Amaral, um respeitado motociclista de longa data, o qual, é parceiro e conhecido do Gau desde os áureos anos de 1970.
Painéis em homenagem aos motociclistas que se hospedam com frequência no Gávea Palace Hotel na capital paulista, local onde foi realizada a entrevista com o GAU
Conheça o GAU, "o PAI do Moto Turismo Brasileiro... "
Como foi seu primeiro contato com o mundo do motociclismo?
Foi com uma Vespa quando tinha meus 16 anos. Aos 18, fui servir a Marinha Brasileira no Rio de Janeiro/RJ, logo após, me casei e fomos viver em Manaus/AM, onde me estabeleci. Mas devido a meu temperamento inquieto, voltei para o Sul do país - de moto pelo interior do Brasil - percorrendo mais de 12.000 km em uma enorme AMF/Harley-Davidson 1200, isso em 1976. (Este feito mereceu registro no Guiness Book como primeiro motociclista a cruzar a Rodovia Transamazônica.)
Ai nunca mais parei de viajar de moto. Estive em todos os estados brasileiros, todos os países das três Américas (exceto Bolívia e República Dominicana), já rodei também na Europa e na África. Gosto de dizer que até em Cuba já rodei de moto.
Gau em algumas de suas aventuras pelo Brasil nos anos 80, em estradas de terra, que com chuva, virou o acima...
E porque você viaja assim tanto de moto? Em 2001 você cruzou as 3 Américas de ponta a ponta?
Não sei porque viajo tanto de moto, só sei que viajo!
Sim, em 2001, sai de Palhoça/SC, fui até Ushuaia/Argentina, ai segui pelo pacífico até o Alasca, voltei para o Ushuaia e finalmente fui para casa em Palhoça/SC. Essa viagem foi matéria da Revista Duas Rodas (Gau é colaborador desde os anos 70 dessa revista, já tendo sido matéria em 22 artigos). Estava cruzando os EUA quando houve os atentados de 11 setembro/2001. Rodei um total de quase 75.000km.
Retrovisor da moto do Gau, chegando no Alasca...
Mas explica uma coisa GAU, tem-se no Ushuaia aquela famosa "placa" onde dentre outras informações, se diz que a distância do Ushuaia até o Alasca é de 17.848km, como então você rodou quase 75.000km nessa sua viagem?
Policarpo, informe aos leitores do Rock Riders que essa distância é em linha reta. Talvez de avião seja essa distância (risos). Só para te dar uma idéia, a costa do México tem mais de 6000km. De Palhoça/SC, passando por Ushuaia e chegando no Perú, já tinha rodado mais de 10.000km. Depois leia o livro que fiz e te darei de presente, a respeito da viagem e entenderá melhor (GAU, já li o livro e adorei!).
Que livro é esse Gau que você redigiu? Conta sobre sua mega viagem Ushuaia-Alasca-Ushuaia sob que ponto de vista?
Durante essa minha viagem realizada em 2001, no dia-a-dia, escrevia sobre a viagem, abordando um enfoque diferente daqueles "relatos" que encontramos comumente em livros do gênero. O livro foi publicado só agora em 2008, nesse mês de setembro. Chama-se "Moto é o sonho que caminha". Abordo além da minha vivência durante todo o percurso, histórias hilárias, curiosidades e tudo que vi no caminho, questões políticas sobre os países que cruzei, a opulência do povo dos EUA, tudo com pitadas de bom humor. (Eu li o livro, muito bom para todos aqueles que adoram viajar de moto e tem curiosidade em melhor compreender o tão significante é uma viagem longa como essa. Gau narra com um humor gostoso, despretencioso e de um jeito que só mesmo ele sabe contar suas histórias - Policarpo Jr - Rock Riders)



Além das três Américas, você também já viajou de moto pela Europa e África não é mesmo?
Rodei na Inglaterra, mas não gostei, aquele negócio de ser tudo do lado contrário ao que estamos acostumados não deu certo para mim (risos). Rodei na França, Itália (inclusive pelos Pirineus), Portugal, Espanha, ai atravessei o estreito de Gibraltar e fui para Marrocos, até a cidade de Casablanca, já no continente africano.
E tem planos de fazer mais viagens longas, para onde?
Estou sonhando com um novo desafio: Portugal - China - Rússia...
E você trabalha com o que Gau, para conseguir estar sempre viajando de moto?
Já trabalhei em muitas coisas nessa vida, costumo dizer que o animal burro pode até ser mais inteligente do que eu, mas, mais força ele não tem (risos). Já tive empresa de jato de areia, já trabalhei com máquinas de lavar ônibus, já tive desmanche de carro, hotel, moto-peça, porém, atualmente tenho uma empresa de Refrigeração e Elétrica na cidade de Manaus/AM, foi o que me restou após a segunda separação matrimonial (risos). Mas confesso que para trabalhar tenho que vender minha moto, porque tendo moto só penso em viajar (risos), inclusive, quando voltei do Alasca, achei por bem pendurar a moto presa ao teto da Paiol Auto Peças, uma outra empresa que toquei durante muitos anos de minha vida na cidade de Palhoça/SC.
E quais os modelos de motos que costuma usar em suas viagens, você gosta de viajar com grupos de amigos ou vai sozinho mesmo?
Minha preferência é por modelos chamados de Trails, Big-Trails ou Maxi-Trails, sei lá (risos)! Normalmente viajo com motos da BMW, empresa velha amiga e patrocinadora. Do Ushuaia até o Alasca tem-se assistência técnica da BMW, só nos EUA (incrível, país de 1o. mundo é que a coisa complica, porque por lá, não existe concessionária só da BMW, são mescladas com outras marcas e sempre faltam peças). Prefiro os modelos de 650cc, por serem mais ágeis e leves, ainda não conheci estrada que requeira motos de cilindrada maior, são um exagero. Por falar nisso, tem uma frase que digo sempre: "Toda moto vai para qualquer lugar. Não existe moto grande, existe é motociclista pequeno!" (risos)
Gosto de viajar com amigos, mas é complicado arrumar gente que tem tempo e disposição disponíveis. Ai, acabo viajando sozinho mesmo, ou melhor, acompanhado dos meus "anjos da guarda" e foda-s_! Vou para a estrada! Agora, durante o percurso, sempre aparece um ou outro amigo motociclista que viaja um trecho junto comigo, o que é muito bom. Na viagem que fiz até o Alasca, sai acompanhado de um amigo, que no Perú precisou retornar, mas ai na América Central fiz amizade com outro motociclista, que de Harley-Davidson Electra cheia de acessórios brilhantes, me acompanhou até o Canadá. Gente finíssima o Arturo... (todas essas histórias em detalhes tem-se no livro do GAU)
GAU e como se não bastasse você ser um viciado em viajar de moto, sua filha Chayenne, acompanhando na garupa do marido Allamo, também foi de moto até o Alasca? O que você como pai na época (2007) pensou a respeito?
O que eu poderia dizer?! (risos). Dei a maior força ué, manda bala e toca a máquina, porque o Alasca é logo ali! (risos) Como pai, fiquei apreensivo, mas confiante, uma vez que o Allamo havia escutado o meu conselho e vendido a Bandit 1200, indo viajar tranqüilo numa XT 660 R, a qual depois de realizar a viagem até o Alasca, eu, como um perfeito idiota (meio idiota), a comprei toda ferrada! (risos). (fotos da linda filha do Gau, Chayenne e do marido Allamo, o sortudo em dose tripla: casado com Chayenne, proprietário de uma KTM 990 e tem na família o GAU!)
Nota RR: Leia entrevista com o Allamo e Chayenne publicada no portal Rock Riders.
Como surgiu a idéia de fundar a Irmandade motociclística Brazil Rider´s e quais são seus objetivos?
Sempre viajei muito de moto e percebi na prática que o apoio de motociclistas é de suma importância. Porque quando estamos longe de casa são eles que muitas vezes nos permitem seguirmos viagem (sem contar que as tornam mais divertidas!). Daí veio a idéia de fundar o Brazil Rider´s, em 1998. Hoje o Brazil Rider´s conta com diversas lideranças regionais e mais de 2000 membros, em todos os estados brasileiros e alguns outros países. Somos uma irmandande onde qualquer motociclista pode participar, independente do modelo de moto que possui, ou mesmo se não tiver moto e aqueles que são integrantes de moto clubes ou moto grupos. Nosso objetivo primordial é criarmos uma rede de motociclistas amigos que ajudam uns aos outros quando em viagens. Mais informações no site http://www.brazilriders.com.br/
Gau, tem alguma coisa que esquecemos de abordar na sua entrevista?
Tem um montão de coisas Policarpo! Mas não dá mais tempo, tenho que ir para um Churrasco organizado pelo Brazil Rider´s lá em Guarulhos.
Policarpo: Guarulhos é longe daqui do centro de SP Gau, você sabe chegar até lá?
- Está certo que essa cidade de São Paulo é meio maluca. Mas, depois de andar de moto em 5 continentes, você acha que não sei ir para Guarulhos? Porr_, vai se fode_ (risos). Mas antes de ir quero dizer uma coisa aos leitores do Rock Riders: "Desejo boas curvas e boas viagens a todos... e lembrem-se disso: "Se a sua moto aprender a cozinhar, case-se com ela" (GAU). Fui...
Policarpo Jr - Rock Riders: ai ele foi embora... de carro até Guarulhos. E eu fiquei pensando com o livro dele que ganhei de presente nas minhas mãos: Puxa! acabei de entrevistar um verdadeiro ícone do motociclismo brasileiro !!! Esse eu nunca mais vou esquecer... e dias depois... após ter lido o livro e publicado essa matéria, tive a certeza desse meu pensamento...


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

1% ers


One-PorcenterNos últimos anos estou escutando motociclistas falar sobre e usar o símbolo 1% er nas suas jaquetas sem saber o que significa na verdade.
One-Porcenter de onde que vem e o que quer dizer? Nós precisamos viajar no tempo ate o ano 1947, logo depois do famoso encontro do 4 de julho em Hollister, Colifornia. Numa propaganda divulgada pela AMA ( American Motorcycle Association ) era declarado que só 1% dos motociclistas eram marginais fora da lei, dando uma imagem negativa e que 99% eram cidadãos de conduta exemplar, pais de família trabalhadores que usavam motocicletas como modo diversão nos fim de semanas.
Durante os próximos anos cada vez que tinham um problema ou uma confusão, em qualquer encontro motociclístico a AMA sempre jogava a falta em cima do 1%er. Um particular incidente aconteceu em 1959 no AMA Gypsy Tour na cidade de Angels Camp California quando dois membros dos Hells Angels, de Sacramento, que estavam correndo a mais de 150 kms na cidade, atropelaram um outro grupo de motociclistas. Os dois Angels morreram no acidente e a mídia foi devastadora para a AMA que resolveu parar de sancionar esse tipo de evento.
Algumas semanas depois do incidente de Angels Camp uma grande reunião foi organizada em San Francisco onde participava MCs do Norte ao Sul da California como Hells Angels, Satan Slaves, Executioners, Galloping Gooses e outros. Uma associação nasceu dessa reunião e foi orgulhosamente adotado o símbolo 1% cercado de um triangulo. Um bordado foi criado para colocar nas jaquetas somente para os MC participantes. Ate hoje esse símbolo sempre ficou presente na nossa cultura. Atualmente não precisa mais fazer parte dessa associação para usar o bordado, qualquer um que se identifique como tal poderá usá-lo.

domingo, 14 de dezembro de 2008




O NEGOCIO
E AS MALVADAS!!!!

sábado, 13 de dezembro de 2008

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

moto clube

Como Surgiram os "Moto Clubes"
Moto clube ao contrário do que os leigos e desinformados pensam não é um grupo de motociclistas que se reúnem para lazer e seus integrantes usam nas costas um brasão por estética! Moto clubes são associações baseadas na Irmandade e Tradição. Hoje em dia precisamos diferenciar um moto clube das centenas de grupos populares que existem. Podemos citar como exemplo os "caçadores de troféus", ou seja, grupos ou pessoas que vestem colete e um brasão qualquer nas costas sem saber seu real significado apenas para conseguir lembranças em eventos.INFORMAÇÃO HISTÓRICA DO SURGIMENTO:A história do surgimento dos Moto Clubes é de certa forma complexa, pesquisando você encontra informações que associam o surgimento, em parte, ao final da guerra onde ex-militares e pilotos no pós-guerra teriam feito da moto o veículo de busca de adrenalina formando diversos grupos como Pissed de Bastardos, 13 Rebels e os Yellow Jackets, esses da Califórnia. Nessa época já usavam identificação do grupo e mais tarde foram desenvolvendo os escudos (brasões) que passaram a defender e adaptavam as regras da hierarquia militar em uma irmandade formada por cargos eletivos das associações. Sabemos que muito antes disto os motociclistas já haviam percebido as vantagens de andar em grupo e já existiam associações que eram entidades sociais de pessoas que andavam de motos. No Brasil a primeira associação fundada em 1927 foi o Moto Club do Brasil sediado na Rua Ceará no Estado do Rio de Janeiro, alguns anos depois, mais precisamente em 1932 surgiu o Motoclub de Campos. Lá fora, nesta época (década de trinta) estavam surgindo moto clubes com tendências mais rígidas e muitos acontecimentos vieram a expor a imagem do motociclista ao ridículo principalmente pela imprensa sensacionalista da época que acusava os motociclistas de arruaceiros, desordeiros e outros pormenores e, mais tarde, algumas produções de Hollywood serviram para incentivar verdadeiros predadores a criarem moto clubes e constituirem verdadeiras gangues, o que fez da década de 50, uma página negra na história do motociclismo. Aí está o porque do motociclista ainda nos dias de hoje ser muitas vezes taxado como mau elemento, mas isso está mudando, pena que ainda somos confundidos com motoqueiros que aparecem em nossos encontros fazendo arruaças (estouro de escapamento, borrachão com pneu e etc) ou até mesmo promovem encontros que são na verdade feiras comerciais e nada a têm a ver com nossos princípios.Mais tarde, já na década de 60 as motocicletas voltaram a ser tema de Hollywood com Elvis Paisley, Roustabout e Steve McQueen com A Grande Fuga, uma série de filmes que chegou ao seu auge com Easy Riders. Finalmente inicia-se a mudança da imagem do motociclista com o início da fase romântica do motociclismo, que perdurou até o final da década de 70. Este período fixou o motociclista como ícone de liberdade e resistência para o sistema. No Brasil nessa época surgiu em São Paulo-SP o Zapata MC (1963) e já no final da década no Rio de Janeiro o Balaios MC (1969) grupo este que já seguia os novos padrões internacionais e o princípio de irmandade.A partir da década de 70 viu-se a implantação de diversos moto clubes pelo mundo, a maioria já seguindo o princípio de hierarquia e irmandade. No Brasil a popularização iniciou-se na década de 90, quando diversos fatores já contribuíam como a disseminação de marcas de motos pelo mundo e a liberação da importação pelo governo do presidente Collor.Hoje muita coisa anda desvirtuada, moto clubes são criados a revelia por pessoas que desconhecem a história e sequer sabem o significado de um brasão e muito menos seguem o princípio de irmandade.Os moto clubes autênticos são forçados a criar campanhas para evitar abusos e coibir arruaceiros em seus eventos, em contrapartida a cada dia são criados novos eventos que nada têm a ver com as tradições, na verdade são eventos que enriquecem empresários que aproveitam da popularidade para atrair admiradores de motos, já que os motociclistas autênticos passam longe...